Denso Estado de Levitação

Wild & Free

· 28/10/11 · 1 · Reblog

Nos teus olhos faíscam intrigas e no por trás delas existem medos que só eu vejo. Medos estes que tu combates com teu jeito louco, desregrado e irresponsável com tudo e todos. Uma vida de excessos, sem freios, sem amarras. Uma vida assim, sedenta de vida, de repente tropeça na minha, pisoteia, faz bagunça e, por incrível que pareça, tenta fazer moradia. Tanto movimento que sossega num colo meu que eu nem sabia que tinha, e que agora parece ser do tamanho do mundo. Meu mundo, teu mundo. Nosso mundo? É um intervalo de tempo e eu nem sei contar quantas horas duram, porque tudo se encaixa num suspiro gigante que nos absorve e nos deixa assim: flutuando, numa leve embriaguez do simples estar juntos. Mas não, uma alma livre como a tua não se prende. É a regra, não é? E com dons de artista e uma frieza que parece calculada vejo as tentativas que tu fazes pra me afastar de ti. Veja bem, quase consegue, não fosse o fato de que tu voltas sempre atrás, e os olhos de faísca agressiva agora têm ares de ternura doce de menino pedindo pra ficar mais um pouquinho. E eu deixo, sempre deixo. Mas hoje não, chega de tanto movimento, tanta insenstez junta já perdeu a graça, veio, fez história, marcou: prazo de validade vencido. Já acumulei alguns poucos tombos de experiência que me fazem não querer mais essa caçada eterna. Até que é bonitinha, mas uma hora cansa. E então, me surpreendo quando tu colocas meu braço em volta do teu corpo e me pede, com olhos faiscantes de incerteza, dúvida e medo (que agora tu deixas transparecer e me fazem arrepiar… como tu podes te abrir assim?) pra que eu te ensine, pra que eu te ajude a colocar rédeas e freios em tanta velocidade, porque tu gostas tanto de calafrios na espinha, mas viu que estes nada são sem meu pé gelado no final da noite pra se esquentar no teu. E então eu fecho os olhos tentando fazer com que as faíscas não me ceguem, e me vejo assim: soltanto as rédeas, pegando com as mãos nuas nas crinas de um cavalo selvagem e correndo de olhos fechados e sorriso no rosto em direção ao precipício numa velocidade que quase beira insensatez.

  1. solidaourbana publicou esta postagem